A ucraniana Marta Kostyuk deu mais um passo consistente rumo à elite do tênis mundial ao superar a italiana Jasmine Paolini por 6-3 e 6-2, em apenas 69 minutos, na quadra central de Wimbledon nesta quarta-feira. A vitória garantiu à 12ª cabeça de chave uma vaga na semifinal do Grand Slam britânico, onde enfrentará a tcheca Linda Noskova, nona favorita do torneio, na quinta-feira. Em jogo está uma inédita vaga em uma final de Major para Kostyuk.
O tênis feminino vive um momento de intensa renovação geracional, com jovens atletas quebrando barreiras em torneios de alto nível ao redor do mundo - fenômeno semelhante ao que se observa em outros esportes globais; para quem acompanha como grandes eventos esportivos reescrevem narrativas, vale também entenda a abertura da Copa do Mundo 2026, outro exemplo de como competições de escala global mudam o esporte para sempre. Kostyuk, aos 24 anos, é parte desse movimento: nas últimas 22 partidas, perdeu apenas uma vez - na semifinal de Roland Garros diante de Mirra Andreeva, que acabou conquistando o título parisiense.
Uma história com a quadra central
A partida teve um significado especial para Kostyuk, que pisou pela primeira vez no Centre Court como jogadora profissional. "Estive nessa quadra como espectadora há nove anos assistindo ao Roger [Federer] e estar de volta aqui como jogadora é incrível", disse a ucraniana após a vitória. "Passei pelo 'muro da honra', parei ao lado dele e me recolhi por um momento." A declaração sintetiza bem a trajetória de quem cresceu admirando os grandes do esporte e hoje disputa as mesmas superfícies que um dia a encantaram.
Em quadra, Kostyuk foi dominante. Paolini, vice-campeã de Wimbledon e que chegou às quartas após uma vitória convincente sobre a filipina Alexandra Eala nas oitavas de final, não conseguiu reproduzir seu melhor tênis. A italiana perdeu em uma fase de quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez na carreira, incapaz de sustentar o ritmo imposto pela adversária.
Noskova, a força que veio do fundo do chave
Do outro lado da chave, Linda Noskova confirmou o favoritismo relativo que lhe cabia após as saídas precoces de Iga Swiatek e Elena Rybakina - as grandes candidatas ao título que deixaram o torneio antes do esperado. A tcheca de 21 anos não desperdiçou a oportunidade e eliminou a belga Elise Mertens, 25ª favorita e ex-semifinalista de Grand Slam, por 6-3 e 7-5 na Quadra Um. Mertens, disputando sua primeira quartas de final em Slam desde 2020, lutou mas não teve resposta para a potência e agressividade de Noskova.
A jovem tcheca chega à semifinal em excelente momento na temporada de grama. Além do avanço em Wimbledon, Noskova conquistou seu segundo título WTA em Berlim antes do início do torneio - sinalizando que sua adaptação ao piso mais veloz do circuito é real e consistente. "Vai ser difícil, nunca será fácil", disse Noskova sobre o confronto com Kostyuk. "A Marta é uma jogadora incrível." Um elogio genuíno que não esconde o peso do duelo que se aproxima.
Histórico favorável e motivação máxima para Kostyuk
O único confronto anterior entre as duas terminou com vitória de Kostyuk, também em sets diretos, nas quartas de final do Aberto de Madri no início desta temporada, torneio que a ucraniana acabou conquistando. O precedente conta a favor da 12ª cabeça de chave, mas em semifinais de Grand Slam a história pode ser reescrita rapidamente.
A vencedora do duelo desta quinta-feira encontrará na final, no sábado, a americana Coco Gauff - bicampeã de Grand Slam - ou a tcheca Karolina Muchova, décima favorita do torneio. Para Kostyuk, chegar à decisão de Wimbledon seria o ápice de uma carreira construída com determinação em meio a um contexto pessoal e nacional de enorme adversidade. Para Noskova, representaria a confirmação de que uma das maiores promessas do tênis europeu está pronta para disputar os títulos mais importantes do circuito.