Enviado em

Redações Esportivas Buscam Criadores de Conteúdo Para Alcançar Jovens

O jornalismo esportivo, assim como o restante da indústria de notícias, enfrenta um desafio crescente: como falar com um público jovem que consome informação de forma completamente diferente das gerações anteriores. Em um webinar promovido pela Young Audience Initiative, iniciativa ligada à INMA (International News Media Association), Adriana Lacy, CEO do Field Nine Group, apresentou um panorama sobre como redações - incluindo veículos que cobrem futebol, críquete, automobilismo e outras modalidades populares no Brasil, na África e na Índia - podem construir parcerias sólidas com criadores de conteúdo digital.

Segundo Lacy, parte significativa do público hoje se informa fora dos canais tradicionais, migrando para plataformas onde criadores independentes já dominam a atenção. Isso vale também para o universo esportivo, onde fãs acompanham análises táticas, bastidores de clubes e até atualizações de mercado por meio de perfis que não pertencem a nenhuma redação formal. Da mesma forma que torcedores buscam informação em tempo real sobre resultados, escalações ou até em um site de apostas para acompanhar odds de uma partida, eles também recorrem a criadores de conteúdo para entender o contexto por trás dos números. site de apostas

O que realmente importa para quem consome esporte online

Lacy é direta ao afirmar que a formação jornalística formal não é, necessariamente, o critério decisivo para o público. O que pesa mais é a confiabilidade da informação e a forma como ela é entregue - em formatos curtos, dinâmicos e adaptados à linguagem de cada rede social. Para editores de esporte, isso significa reconhecer que um criador especializado em futebol, críquete ou MMA pode ter mais capilaridade com torcedores jovens do que um repórter tradicional, sem que isso comprometa a qualidade da cobertura, desde que existam critérios claros de verificação.

A estrutura STEPP como guia para parcerias

Para orientar essas colaborações, Lacy e sua equipe desenvolveram o modelo STEPP, composto por cinco pilares. O primeiro é padrões editoriais: mesmo sem vínculo formal com uma redação, o criador precisa demonstrar capacidade de checar fatos e usar fontes confiáveis - essencial em coberturas esportivas onde rumores de transferência ou lesões se espalham rapidamente. O segundo é transparência, especialmente sobre patrocínios e vínculos comerciais, um ponto sensível quando se fala de parcerias com marcas ligadas a apostas ou equipamentos esportivos.

O terceiro pilar é a interação genuína com a audiência, medida não apenas pelo número de seguidores, mas pela qualidade do diálogo gerado em comentários e compartilhamentos. O quarto trata da adaptação de formato: um vídeo pensado para o YouTube não funciona da mesma forma no TikTok, e criadores já dominam essa lógica multiplataforma que muitas redações ainda estão aprendendo. Por fim, o quinto pilar é o serviço à comunidade - o conteúdo deve ajudar o torcedor a compreender questões complexas, como regras de um esporte pouco coberto ou o funcionamento de uma competição internacional, não apenas gerar cliques.

Três modelos de colaboração possíveis

Lacy descreve três caminhos práticos para redações que querem trabalhar com criadores. O primeiro é a "narrativa sob demanda", em que a redação identifica uma lacuna - por exemplo, falta de produção em vídeo para cobertura de basquete ou tênis - e busca um criador especializado. O segundo modelo mira "comunidades de difícil acesso", grupos historicamente pouco atendidos pela mídia esportiva tradicional, algo especialmente relevante em mercados como o africano e o indiano, onde certas modalidades regionais carecem de cobertura consistente. O terceiro caminho é o fortalecimento interno, com redações investindo no treinamento das próprias equipes em vídeo e mídias sociais, reduzindo a dependência de parceiros externos.

O maior obstáculo pode estar dentro da redação

Um ponto central levantado por Lacy é que o entrave a essas parcerias frequentemente não vem do criador, mas da própria organização de notícias. Antes de iniciar qualquer projeto conjunto, é preciso alinhamento interno sobre objetivos, métodos e responsabilidades. Também é fundamental definir quem gerencia a relação com o criador e quem tem autoridade para aprovar decisões. Tratar criadores como profissionais independentes, com regras claras sobre entregas e expectativas, é o que, segundo Lacy, transforma essas parcerias em relações duradouras e mutuamente benéficas - um aprendizado que redações esportivas de todo o mundo começam a levar a sério.